Kimi Antonelli, o jovem que inspira


Nota: Este artigo foi publicado originalmente em meu Substack no dia 09 de setembro de 2026. Confira a publicação original em: https://henriquececatto.substack.com/p/kimi-antonelli-o-jovem-que-inspira
Andrea Kimi Antonelli é a sensação do momento na Fórmula 1. Mais do que ser apenas uma sensação do momento, Kimi já está dando os primeiros sinais de que é um piloto que entrará para a história. Não apenas vitórias consecutivas, são recordes quebrados um após o outro. Mas o quê isso pode nos ensinar sobre manifestação e arquétipos?
Como já mencionamos anteriormente, tudo no Universo tem um fundamento arquetípico. Este conceito foi revelado originalmente por Platão e, na era moderna, aprofundado por Carl Gustav Jung. Joseph Campbell e James Hillmann também deixaram importantes contribuições à respeito do tema. Mas qual arquétipo seria capaz de fazer um garoto italiano de apenas 20 anos vencer os maiores nomes do automobilismo mundial, competindo de igual para igual? As nuances desta resposta pode variar, mas todos certamente concordariam com um arquétipo específico e em protagonismo: o arquétipo do herói.
Vencer uma prova de atletismo, de automobilismo, realizar um grande feito revolucionário em uma comunidade, salvar alguém de um afogamento, apagar um incêndio, salvar a vida de um animal atropelado ou ajudar os demais a expandirem suas próprias consciências e ultrapassarem as barreiras da ignorância são todos atos dirigidos pelo mesmo arquétipo: o herói. Este arquétipo sempre despertou um grande fascínio em todos os seres humanos. Qual o rapaz não se lembra de, quando criança, inspirar-se em seus super heróis favoritos, levantar o braço como é feito nos filmes e imaginar-se voando e lutando contra forças contrárias? Esse é uma amostra do poder de inspiração que os arquétipos têm sobre nós.
Portanto, todos aqueles que desejam vencer na vida devem sintonizarem-se o máximo possível e de maneira mais profunda possível com esta força arquetípica. É uma decisão que pode ser tomada dentro de cada um de nós, basta desejar e se permitir sentir isso. Porém, existe um detalhe que é o que muitas pessoas falham em entender - e disso deriva a sua falta de resultados na vida, seja qual for o objetivo que se deseje alcançar. Este detalhe é a intensidade/profundidade com que se vivencia esse mito/arquétipo. Não basta apenas assistir um filme de duas horas e absorver um pouquinho da energia. E as outras vinte e duas horas do dia? Não basta fazer uma visualização por cinco ou dez minutos duas ou três vezes ao dia e achar que está resolvido. Isso é muito fácil de fazer. Mas não é o que gera resultados extraordinários. Ou vocês acham que os demais pilotos que competem com o Kimi Antonelli não sabem desse conhecimento acerca do universo dos arquétipos, do controle mental e emocional e de técnicas para ampliarem seus resultados competitivos? Claro que sabem, todos eles sabem, todas as equipes sabem. Fórmula 1 é um esporte que envolve cifras centimilhonárias e todo mínimo detalhe importa. Portanto, este conhecimento não é “oculto” para eles, tampouco menosprezado.
Então, o quê faz a diferença quando se está envolto em um ambiente extremamente competitivo e se deseja vencer e ter os melhores resultados? A resposta é mais simples do que podemos presumir, mas com um grande desafio para sua implementação: a obsessão. É exatamente isso: você tem de ser obcecado pelo seu objetivo. Você acha que todos que estão correndo lá não desejam chegar em primeiro no pódio? Você acha que todos os pilotos não estão esperando o menor deslize ou erro do oponente para ultrapassá-los e tomar sua posição? É claro que sim. Este é um esporte extremamente competitivo. E é claro que eu sei que este esporte não reflete apenas a capacidade do piloto de maneira isolada; mas sim, também, da equipe de mecânicos e de todos os demais que integram o time por trás do piloto. Porém, adianta o piloto estar vivenciando plenamente o arquétipo do herói se a equipe não estiver? Ou vice-versa? Não, não adianta para garantir a vitória. É necessário, neste tipo de esporte, uma simbiose ainda maior entre o arquétipo e todos os integrantes da equipe. Quantos mais pessoas integram uma equipe, maior têm de ser (e é o desafio) de simbiose entre as forças arquetípicas e os membros da equipe. É por isso que a liderança é tão importante. Porquê o líder conduz a força arquetípica de modo a despertar em cada membro da equipe - quer saiba que está fazendo isso de maneira consciente ou não.
E aí a vitória é possível, e aí os troféus chegam e os objetivos são alcançados. É claro que, quando analisamos o arquétipo do herói e o seu mindset, muitas nuances de comportamento são percebidas. Poderia-se escrever vários artigos ou mesmo um livro somente sobre as nuances de comportamento de cada arquétipo. A maneira como cada arquétipo reage diante das mais variadas situações, como sente, como pensa, como é sua postura, como cuida do corpo, como se alimenta, como se relaciona, etc etc. Mas este não é o objetivo deste artigo. O quê é importante que fique claro a partir deste artigo é a união de conceitos arquétipo + comportamento simbiótico + obsessão = resultado. Pode ser que antes da corrida o piloto vencedor não está “preocupado” em saber em qual posição finalizará a corrida. É lógico que ele deseja terminá-la em primeiro, mas isso não é seu foco. O seu foco é, simplesmente, dar o seu melhor. Fazer tudo o que for possível para alcançar o seu objetivo. Qual o objetivo? Correr melhor do que todos os outros, sair na frente, superá-los, superar a si mesmo, vencer a si mesmo, dar o melhor de si, ainda mais do que deu na última corrida. E então o impossível acontece. E feitos entram para a história. Em todos os esportes, em todas as atividades que se propuser a fazer. Não dá para dar “só um pouco” de si. É preciso dar tudo, ir ao máximo. Em todas as vezes, não apenas na primeira vez e depois cair na zona de conforto. E essa é uma grande “generosidade” que a idade ainda conserva no jovem piloto Kimi Antonelli. Ele vence porque ele está entusiasmado, é inocente, muito provavelmente corre para se divertir. E não é preciso mais do que isso. Basta se divertir dando o seu melhor. E dar o seu melhor significa progredir sempre, avançar sempre. E cortar tudo aquilo que atrapalha você de chegar ao seu objetivo. Porque, naquele momento, no “aqui e agora” só importa uma coisa: vivenciar o arquétipo do piloto de corrida em sua plenitude. E aí os heróis entram para a história.
Por fim, gostaria apenas de deixar claro, por uma última vez neste artigo (como se já não tivesse ficado claro) a minha grande admiração pelo Kimi Antonelli. Fãzaço de Ayrton Senna, Kimi replica seus feitos à sua maneira sendo fortemente inspirado pelo ídolo brasileiro de todos nós. Competindo pelo segundo ano na Fórmula 1 em 2026, Kimi já subiu ao pódio em onze dos doze circuitos já realizados (na data desta publicação), sendo piloto campeão em sete deles. Destaque especial para o Grand Prix de Mônaco e, mais recentemente, em Monza, na Itália. Nesta última, por sua vez, largando na posição de décimo nono, ultrapassou dezoito carros (o segundo maior recorde de posições adquiridas em uma corrida na história da Fórmula 1) e subiu ao pódio em primeiro lugar. Faziam sessenta anos que um piloto italiano não vencia em Monza.
O calendário anual da Fórmula 1 2026 ainda não encerrou suas provas, mas pode-se dizer já com segurança que Kimi Antonelli será o grande campeão da temporada - salvo algum incidente que o impeça de competir as disputas que ainda restam pela frente. E para os próximos anos, um futuro promissor certamente o aguarda. Será que estamos tendo o privilégio de ver o surgimento de um novo grande nome do automobilismo diante dos nossos próprios olhos? Ao que tudo indica, sim…



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